O trabalho do Olamar começa muito antes das planilhas e dos microscópios. Ele começa com o pé na areia, sob o sol forte do Norte do Brasil, encarando de frente o impacto da ação humana nos oceanos. Hoje, vamos compartilhar como funciona um dia típico de Ação em Campo das nossas equipes nos litorais do Amapá, Pará e Maranhão.
Muitas pessoas confundem nossas ações com simples “mutirões de limpeza”. Embora a retirada do lixo seja essencial, nosso foco principal é a investigação científica. Nós não apenas recolhemos o lixo antropogênico; nós o escutamos. Cada resíduo tem uma história sobre como chegou ali.
O passo a passo da nossa expedição
Uma ação em campo bem-sucedida exige planejamento e metodologia. Veja como atuamos:
- Demarcação da Área (Transectos): Ao chegarmos à praia monitorada, a equipe não sai recolhendo lixo aleatoriamente. Usamos estacas e cordas para delimitar áreas específicas (transectos). Isso nos permite calcular a densidade do lixo por metro quadrado, garantindo que os dados possam ser comparados ao longo dos anos.
- Coleta Criteriosa: Com EPIs (Equipamentos de Proteção Individual), nossa equipe e voluntários treinados recolhem todo o material antropogênico visível na área demarcada.
- A Hora da Verdade: A Triagem: Este é o coração da nossa ação. O lixo coletado é levado para uma lona onde é separado, pesado e classificado item por item.
O que encontramos na areia?
A fase de triagem revela o retrato do nosso consumo. Em nossas planilhas de campo, registramos a quantidade e a qualidade do lixo. Os grandes vilões costumam ser:
- Plásticos de uso único: Tampinhas de garrafa, canudos, hastes flexíveis e embalagens de alimentos são presença constante.
- Petrechos de pesca: Restos de redes (nylon), boias de isopor e cordas, que evidenciam a “pesca fantasma” na região.
- Resíduos de origens distantes: Em muitas praias costeiras, encontramos embalagens com rótulos de outros países ou estados, trazidas pelas correntes oceânicas e fluviais, provando que o oceano é um ambiente totalmente conectado.
O destino do resíduo e da informação
Após a triagem minuciosa, o material reciclável é destinado a cooperativas locais parceiras, enquanto os rejeitos vão para aterros sanitários adequados. Mas o maior tesouro que levamos da praia são os dados.
As informações coletadas em campo alimentam nosso banco de dados, permitindo mapear os pontos críticos da Costa Amazônica e direcionar esforços de educação ambiental exatamente para onde são mais necessários.
O lixo marinho é um problema de todos nós. Apoie nossas próximas expedições e ajude a manter a ciência viva no Norte do Brasil.
👉 Quer fazer a diferença? [Doe Para o Olamar] e viabilize nossos próximos trabalhos de campo!


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